O vaso de flor repousava no beirado da janela do primeiro andar.
Passos,e mais passos: passavam... e ela não chegava a nenhum lugar
Ela estava na sala, pé descalço, na quina a sandália, sem tapete.
Um livro. Luz apagada.
E o chá ,era verde e puro...
Lavava o espelho
Depois resolveu:
- Pensar no escuro.
Todos eles perguntaram:
Onde você quer chegar?
As vozes se multiplicaram
Os tímpanos, não eram tão numerosos
O suor emergiu todos os poros
Das costas que levavam cabelo e rugas
Guardava no colo. Queria esperar.
O calendário
Foi perdendo as pétalas
No saguão, eu sou estante.
Amor, não pertence ao tempo.
E fito aqui fixo, da minha janela, distante
Tudo no mundo, voa em movimento
Da onde o vão, que há entre nós
Me faz ver melhor
Onde, o amor é estar
Só faço ir na ponte que há;
Dentro da tua caixa de lembranças
Até o sofá, da tua sala-de-estar
Sentada ela traçava linhas... Divagava uma dúzia de consoantes
E adormecia no consolo do recosto do sofá estreito
Em
Seu braço direito;Abria a veneziana, conversava com a lua
Marcava o encontro no terraço, pra próxima semana
Queria saber se podia ter, asas de prata
Subia nas árvores e treinava
Pensou que talvez fosse muito pesada...
Acordava as seis da tarde
Coçava a cabeça.
Tomava a água envelhecida a dois dias
Ouvia o balanço da praça, a pressa das pernas,as paradas do elevador
Tentava deixar alinhados todos os quadros
Na altura que o pescoço não reclame de dor.
Mas o prego insistia: caía.
E lá mesmo, eles ficavam... Tontos pelo corredor
Ela escrevia cartas
Carimbadas no silêncio
O vento não levava meu timbre ruim
Aspirou por um ouvido, soprou por outro
Libertava as páginas
As jogava no ventilador
Corava a maçã,
Era genuíno pela manhã
Onde, o amor é estar
Só faço ir na ponte que há;
Dentro da tua caixa de lembranças
Até o sofá da tua sala-de-estar
...
...acomodado, ao lado, da cômoda de mogno.
Não incomodo, estou mofado
Insólito.