sexta-feira, 28 de março de 2008

Outono em Porto Alegre



Outono é recomeço
Renascimento
Da mais pura forma de vida
Por si só,
Por ela mesma
Divina.
O outono te ensina
A morrer
Depois
Ressuscitar
Mais vivo ainda
Outono não é folha
Seca, morta, caindo.
Outono é
O revelar da copa das árvores
Mostrando seus dedos obstinados tentando tocar o céu
Esses outonos, em
Porto Alegre tecem
A tapeçaria mais linda
Que poderia me receber
Colcha de retalhos feita de folha
Amarelo-queimado
Perfeita nuance de cor pro
Meu sono marron
Depois, o despertar cintilante, de qualquer tom
Na brisa aquecida da primavera
O outono não é pior que ela

Ele tem magia! Tem praças tão belas
No Bairro dos Poetas
É a fase mais criativa.
Cativa, para cima, meus olhares
Na Praça da Alfândega, minha Redenção,
Depois de alimentar-me de quintanares...
Olha a copa das árvores!!O
pássaro e sua casinha
Tudo em exposição
Num saguão em campo aberto
Livre acesso
Pra's belas esculturas naturais
As folhas dançam.. finalmente
livres
E os galhos todos, de mãos abertas
Os ninhos tomam sol
Pra que, acumular moedas?
Se o que, eleva meu espírito é tudo que não posso comprar
Abro meus
poros...Obrigada Deus! pelo pulsar do's meus olhos.
E por minhas cantigas!Deixa eu brincar de rima
Deixa..Que assim a alegria sempre me visita
Eu não sei mas,neste outono meus monstros vão embora
Estão indo...sorrindo
Afinal, outono não é folha
Seca, morta, caindo.
Outono é: O revelar das copa das árvores
Mostrando seus dedos obstinados tentando tocar o céu. E, acredita.
Elas...
...Só elas conseguem!E, pra tudo isso, não a rima que encaixe
Rima que rime
Rima que explique.

segunda-feira, 24 de março de 2008

Sem título I

Eu sou a rocha que esbarra no mar. Sou, por ele atingida. Minhas
cicatrizes:
Moldadas pacientemente, por ele. Das quais, não são, imediatamente, aos
olhos, perceptíveis. É pelo tempo que sou marcado, o tempo é minha maior
vitrina. Sim, eu sou a desorganização.
Que se faz, maravilhosamente imprevisível. Não como: Um quarto 3x4, todo
penteado, cada roupa em seu lugar, cada formiga no seu grão de açúcar, cada
aranha em sua teia. Daí lembro-me de dissolver a poeira do meu cérebro, de
mogno. Sou andarilho, sou andanças, minha mente é assim. E, sou a dimensão dela.
Sou pensamento e reflexão. Sou espírito; Sou engenho.
Meu corpo: minha casca. Ás vezes cai. Torna-se pequena, torna-se
velha. Precisa acompanhar a puberdade constante dos pensamentos. Meu corpo é
como o quadro, que emoldura sua respectiva pintura. Sou, também, puramente, água.
Meu corpo: copo.
Ora me acolhe, ora me limita. Graças a Deus, sou água! Que quando
recolhe-se é forte, que condensa, evapora,é feroz e é calmaria.
Mas que também é frágil, suave,e derrete. Que é doce, salgada,
poluída,espelhada, turva. Água que está tão contida em si, íntegra,
que chega a ter a habilidade de escorrer por qualquer mínima fresta...Ainda
assim, não fica dispersa. E que mata a sede, e que afoga. Ambíguo, assim. Mas
isso é relativo.
Eu sou o que passou, o que não se notou. Um corpúsculo, no
crepúsculo. Sou feio como um muro pixado. Mas repare, por vezes sou colorido e
com versos de amor. Eu sou a cera derretida depois da aurora da vela.
Eu sou; do sexo: o abuso, do abuso: o excesso, do excesso: sou a sobra, da
sobra: eu sou o resto. Eu sou a própria solidão, estou aqui, comigo mesmo,
conversando a sós. Perguntando e respondendo. E, ADORO estar assim. Eu sou o
riso infantil, e tento ser a simplicidade do voo de uma borboleta. Sou
observação distraída. Afinal, eu sou o nada, o invisível. Bem assim: sem gosto,
sem cheiro, sem forma, textura, relevo. Reafirmo: sou "nada", pois sou
sentimento. Ou não vais entender-me, ou vais sentir-se como me sinto. Percebe
nossa cumplicidade? Tu és especial, pois fez companhia a estas palavras até
agora. Chegaste até aqui. Acompanhou elas até a porta...Hoje eternizadas no
tempo, a mercê dele, o papel, esperando ser tingido gradativamente de
amarelo. A espera do meu esquecimento, a espera (mais certa ainda) do teu.
Incrível o poder do tempo. E quem será, daqui há muitos (talvez nem tantos)
360°???
Por hora, concluo...
Afinal,
Eu sou o fim Porque ele é tão simplesmente: - A chance de
recomeçar.

Vire a página, meu amigo.

domingo, 23 de março de 2008

Caixa de Lembranças®

O vaso de flor repousava no beirado da janela do primeiro andar.
Passos,e mais passos: passavam... e ela não chegava a nenhum lugar
Ela estava na sala, pé descalço, na quina a sandália, sem tapete.
Um livro. Luz apagada.
E o chá ,era verde e puro...
Lavava o espelho
Depois resolveu:
- Pensar no escuro.
Todos eles perguntaram:
Onde você quer chegar?
As vozes se multiplicaram
Os tímpanos, não eram tão numerosos
O suor emergiu todos os poros
Das costas que levavam cabelo e rugas
Guardava no colo. Queria esperar.
O calendário
Foi perdendo as pétalas
No saguão, eu sou estante.
Amor, não pertence ao tempo.
E fito aqui fixo, da minha janela, distante
Tudo no mundo, voa em movimento
Da onde o vão, que há entre nós
Me faz ver melhor
Onde, o amor é estar
Só faço ir na ponte que há;
Dentro da tua caixa de lembranças
Até o sofá, da tua sala-de-estar
Sentada ela traçava linhas... Divagava uma dúzia de consoantes
E adormecia no consolo do recosto do sofá estreito
Em
Seu braço direito;Abria a veneziana, conversava com a lua
Marcava o encontro no terraço, pra próxima semana
Queria saber se podia ter, asas de prata
Subia nas árvores e treinava
Pensou que talvez fosse muito pesada...
Acordava as seis da tarde
Coçava a cabeça.
Tomava a água envelhecida a dois dias
Ouvia o balanço da praça, a pressa das pernas,as paradas do elevador
Tentava deixar alinhados todos os quadros
Na altura que o pescoço não reclame de dor.
Mas o prego insistia: caía.
E lá mesmo, eles ficavam... Tontos pelo corredor
Ela escrevia cartas
Carimbadas no silêncio
O vento não levava meu timbre ruim
Aspirou por um ouvido, soprou por outro
Libertava as páginas
As jogava no ventilador
Corava a maçã,
Era genuíno pela manhã
Onde, o amor é estar
Só faço ir na ponte que há;
Dentro da tua caixa de lembranças
Até o sofá da tua sala-de-estar
...
...acomodado, ao lado, da cômoda de mogno.
Não incomodo, estou mofado
Insólito.

Dessas Canoas ®

Canoa mansa, em duros mares de pedra
Mármore.
Ela nao alcança as respectivas
Expectativas..
A canoa só tem a ilha
Quer arquipélogo
Navio mamãe, já dizia:
Olho grande cria remela,
E ela
Não dança a música dos ventos
Pois não tem velas

Ela sabe de seu cais
Não sabe se chegará;
Sem as tempestades mortais
Sabe que quer aspirar
Novos ares
Não sabe o que significa o saber

E sabidamente desviará a rota das lagoas
Pelos mares.
Ao reino dos corais ela chegará
Ao sopro das ondas navegará

Canoa vai.. de acordo com a maré
Canoa, sem bordo
Sem proa , sem borda
Sem porto...
E sem ré;
Canoa vai... e não tem pé.

Mas, ao Reino de Corais, ela chegará
Mesmo sem cais, mesmo sem entender sua fé;
Ao sopro das ondas, navegará.
Canoa mansa, em duros mares de pedra...
Mármore.

Vai, Canoa, vai!!!!!
De acordo com
A
Maré.