Eu sou a rocha que esbarra no mar. Sou, por ele atingida. Minhas
cicatrizes:
Moldadas pacientemente, por ele. Das quais, não são, imediatamente, aos
olhos, perceptíveis. É pelo tempo que sou marcado, o tempo é minha maior
vitrina. Sim, eu sou a desorganização.
Que se faz, maravilhosamente imprevisível. Não como: Um quarto 3x4, todo
penteado, cada roupa em seu lugar, cada formiga no seu grão de açúcar, cada
aranha em sua teia. Daí lembro-me de dissolver a poeira do meu cérebro, de
mogno. Sou andarilho, sou andanças, minha mente é assim. E, sou a dimensão dela.
Sou pensamento e reflexão. Sou espírito; Sou engenho.
Meu corpo: minha casca. Ás vezes cai. Torna-se pequena, torna-se
velha. Precisa acompanhar a puberdade constante dos pensamentos. Meu corpo é
como o quadro, que emoldura sua respectiva pintura. Sou, também, puramente, água.
Meu corpo: copo.
Ora me acolhe, ora me limita. Graças a Deus, sou água! Que quando
recolhe-se é forte, que condensa, evapora,é feroz e é calmaria.
Mas que também é frágil, suave,e derrete. Que é doce, salgada,
poluída,espelhada, turva. Água que está tão contida em si, íntegra,
que chega a ter a habilidade de escorrer por qualquer mínima fresta...Ainda
assim, não fica dispersa. E que mata a sede, e que afoga. Ambíguo, assim. Mas
isso é relativo.
Eu sou o que passou, o que não se notou. Um corpúsculo, no
crepúsculo. Sou feio como um muro pixado. Mas repare, por vezes sou colorido e
com versos de amor. Eu sou a cera derretida depois da aurora da vela.
Eu sou; do sexo: o abuso, do abuso: o excesso, do excesso: sou a sobra, da
sobra: eu sou o resto. Eu sou a própria solidão, estou aqui, comigo mesmo,
conversando a sós. Perguntando e respondendo. E, ADORO estar assim. Eu sou o
riso infantil, e tento ser a simplicidade do voo de uma borboleta. Sou
observação distraída. Afinal, eu sou o nada, o invisível. Bem assim: sem gosto,
sem cheiro, sem forma, textura, relevo. Reafirmo: sou "nada", pois sou
sentimento. Ou não vais entender-me, ou vais sentir-se como me sinto. Percebe
nossa cumplicidade? Tu és especial, pois fez companhia a estas palavras até
agora. Chegaste até aqui. Acompanhou elas até a porta...Hoje eternizadas no
tempo, a mercê dele, o papel, esperando ser tingido gradativamente de
amarelo. A espera do meu esquecimento, a espera (mais certa ainda) do teu.
Incrível o poder do tempo. E quem será, daqui há muitos (talvez nem tantos)
360°???
Por hora, concluo...
Afinal,
Eu sou o fim Porque ele é tão simplesmente: - A chance de
recomeçar.
Vire a página, meu amigo.
segunda-feira, 24 de março de 2008
Sem título I
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D. Znt.