sábado, 22 de março de 2008

Suco de Nuvem ®


Na rua da casa que eu moro


Molha uma chuva na estrada da rua que passa.


De manhã banha de chuva minha alma, de manhã.


Olha... Molha mais o pano do guarda-chuva e a alça da mala na palma


Do que propriamente a tal da alma...


Na mala levo ventos doutras vezes vazia


Levo quase que um outono com o sol no bolso de trás


Mal querias ver, o varal folhas e folhas que o fio de luz faz
As mechas de cabelo por de trás das orelhas


A chuva infiltra os telhados e ribanceiras


E a brisa cheia de cheiro pelas narinas


Advinda da terra, que o céu regou
Na rua da casa que eu moro


Molha uma chuva na estrada da rua que passa


Correm de bicicleta anjos de mochila e tem que ter espaço pra asa molhada


Anjos pobres e destemidos


Esbarrando em galhos distraídos
De repente reparo que das árvores escorre penas


Quem não bebe chuva perdeu sua honra, seu valor


Quanto à ti...Te serve de chuva, porque nuvem não se come.

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D. Znt.