
Na rua da casa que eu moro
Molha uma chuva na estrada da rua que passa.
De manhã banha de chuva minha alma, de manhã.
Olha... Molha mais o pano do guarda-chuva e a alça da mala na palma
Do que propriamente a tal da alma...
Na mala levo ventos doutras vezes vazia
Levo quase que um outono com o sol no bolso de trás
Mal querias ver, o varal folhas e folhas que o fio de luz faz
As mechas de cabelo por de trás das orelhas
A chuva infiltra os telhados e ribanceiras
E a brisa cheia de cheiro pelas narinas
Advinda da terra, que o céu regou
Na rua da casa que eu moro
Molha uma chuva na estrada da rua que passa
Correm de bicicleta anjos de mochila e tem que ter espaço pra asa molhada
Anjos pobres e destemidos
Esbarrando em galhos distraídos
De repente reparo que das árvores escorre penas
Quem não bebe chuva perdeu sua honra, seu valor
Quanto à ti...Te serve de chuva, porque nuvem não se come.
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D. Znt.